segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Que venha 2019
Hoje foi difícil iniciar esse texto. 2018 foi um ano para não esquecer. Foi particularmente difícil para mim, pois confirmar a decisão de me aposentar da FHEMIG onde trabalhei por 37 anos e em especial da Maternidade Odete Valadares onde estive nos últimos 15 anos foi e ainda continua sendo difícil. Ser desligado da Universidade após 18 anos de trabalho sem que isso estivesse nos meus planos foi ainda pior. O resultado das eleições foi só a consequência de um processo que já assistíamos desde a consolidação do golpe contra uma presidenta eleita contra a qual não se provou nada, a não ser o preconceito machista de um bando de reacionários inconformados com a derrota na urnas que se juntam para entregar mais uma vez o pais para interesses multinacionais.
Não tenho muitas expetativas boas para 2019 muito menos para os anos que se seguem. Não acredito nesse governo eleito e principalmente discordo em todos os aspectos que tudo que vem sendo dito como proposta para o Brasil.
Viveremos tempos difíceis.
Para se avaliar meu estado de hoje estava escutando Bibi Ferreira na peça de Chico Buarque Gota d’Agua. Texto belíssimo, mas duro, e nos mostra a disposição que deveremos ter para enfrentar o futuro. RESISTÊNCIA E LUTA. Luta sem trégua, resistência sem perder a ternura jamais.
Seremos provocados a todo instante, em diversas formas, com tentativas de destruir tudo que construímos de políticas públicas e sociais nos últimos anos. Temos que tomar cuidado para não ser engolidos pela ganância em destruir e deixar passar outras perdas desapercebidas. Eles vão atacar sempre fazendo muito estardalhaço numa área, para prender nossa atenção e vão sub-repticiamente tentar passar outras, tentando manter o movimento social distante. Ou ocupado.
Essa elite brasileira gosta é de dar esmolas, não suporta o Direito Social, porque precisa aliviar sua culpa escravagista nas indulgencias que recebe para garantir seu espaço no céu.
Por isso não podemos nos dividir, nos dispersar, nem nos descuidar. Devemos estar atentos e juntos a cada um de nós.
A regra é essa: NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM
Eles pensam que a maré vai, mas nunca volta,
Até agora eles estavam comandando o meu destino e eu fui, fui.
Fui recuando, recolhendo fúrias,
Hoje sou onda solta, e tão forte quanto eles me imaginam fraca,
Quando eles virem invertida a correnteza quero ver se resistem a surpresa e quero ver como eles reagem a ressaca.(Chico, Gota d’agua, 1975)
Assim convido a todos e todas a estaremos atentos todos os dias, sempre lembrando que estamos todos de mãos dadas. Só assim continuaremos juntos contribuindo para a construção de um outro mundo mais justo, humano e democrático.
Beijos para todos.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Caros Amigos, ex-alunos, familiares
Ontem foi um dia muito difícil. Esperei o dia amanhecer para que um boa noite de sono contribuísse para a escrita dessa mensagem. Entretanto acabei precisando mais que uma boa noite de sono.
Ontem perdemos uma batalha. Para a construção de uma sociedade Justa, Igualitária, Educada, com Saúde e com acesso aos bens produzidos pela nossa sociedade teremos muitas batalhas. E certamente não venceremos todas de uma vez só. Ontem venceu o discurso conservador. Não conseguimos esclarecer para os eleitores brasileiros o conteúdo das nossas propostas. Nos últimos anos tivemos muitas políticas acertadas, muitos foram incluídos na educação, o Brasil saiu do mapa da fome, O programa Minha casa garantiu milhares de moradias mais dignas a uma população carente que ainda precisa de muito mais. Todos os programas sociais de inclusão, e cuidado com as populações vulneráveis.
Mas erramos muito. Fizemos pouca POLÍTICA. Nos afastamos dos movimentos sociais. Eles deveriam estar conosco o tempo todo, desde a proposição, implementação e avaliação de todos os programas. A população tinha que estar mais presente durante todo o governo para entender que as conquistas eram fruto da luta coletiva, do cuidado com o outro, responsabilidade de todos e todas.
O modelo republicano presidencialista sempre corre esse risco. Pois elege-se um presidente, muitas vezes não por suas propostas e conteúdo, mas pelo seu carisma. O Brasil é muito grande, tem muitos problemas, são anos de história de descaso. Anos de administração que sempre atendeu interesses das elites dominantes. Reconheço que é difícil cuidar de tudo. Não basta ganhar a eleição! Neste regime tem que ganhar também o congresso. Sem ele não se faz nada. O modelo sempre foi a política do TOMA LÁ DA CÁ. Entramos no jogo. E não por ingenuidade, caímos no golpe, ELES não estavam jogando conosco. Estavam era preparando o terreno para denunciar que fazíamos a mesma coisa. Muitos toparam se aproximar do governo para aproveitar, para tirar proveito da situação e por mais que os governos Lula e Dilma fizessem e fizeram muito, basta verificar toda a legislação anticorrupção foi criada, toda autonomia garantida para o ministério público e policia federal, quantos foram cassados, quantos servidores foram punidos. Mas os mecanismos de controle não foram suficientes, e aí ficou todo mundo no mesmo saco.
A imprensa MARROM, como gostava de chama-la o Brizola, fez o mais fácil. Demonizou o PT, construiu o antipetismo aproveitando dos erros cometidos. Apesar das redes sociais não conseguimos descontruir essa imagem, de partido envolvido com a corrupção. Embora todos os dados mostrem que o PT não está entre eles, não é o que tem mais pessoas presas e condenadas, seus parlamentares não são maioria entre os indiciados. Mas nisso nossa imprensa é boa. Vive e constrói impérios em cima dos recursos públicos, numa atividade que é uma concessão pública e que todos os países do mundo possuem sistemas claros de regulação. Mas aqui ainda não fizemos. Regulamos o sistema de telefonia, o sistema viário terrestre, aéreo e naval, o sistema de parceria no SUS, no SUAS, Temos parcerias para o sistema prisional, e para diversas outras atividades no Brasil menos para a Mídia, e ninguém está falando em CENSURA, quem gosta de censurar são os donos que controlam o que querem que seja notícia. Falamos de regulação. Não fizemos.
O discurso pegou, colou e apesar de todos os esforços não conseguimos muda-lo. E apesar das mudanças que foram feitas na lei eleitoral, nunca tínhamos vivido uma eleição com a participação das redes sociais. (descobrimos que pode haver caixa 2 ai também) e achávamos que a proibição da participação de empresas resolveria a questão!!! Doce ilusão. E como enfrentar das fakenews??? Mentiras pelas redes sociais, que embora não estejam totalmente anônimas, são mais rápidas, disseminam com uma velocidade que, intercepta-las, parece de pouca efetividade. Quanto você percebe o estrago está feito. Apesar do Marco Civil da Internet, aprovado no Governo Dilma, certamente dos pioneiros no mundo, não se mostraram suficientes para assegurar lisura nesse processo eleitoral. Soma-se a uma justiça intencionalmente lenta quando lhe convém, compostas por senhores comprometidos com interesses nem sempre muito republicanos. O resultado é sempre ineficiente.
Bom o que fazer...
Temos muitas frases, bonitas, animadas.
Mas temos que nos manter unidos. Continuar a discutir política, a não aceitar calados todos os retrocessos que poderão vir. Vamos tem muita luta pela frente. Mas descobrimos nessa batalha muitos companheiros com os quais queremos continuar lutando, outros que sabemos estão definitivamente do outro lado, e não os queremos mais junto de nós. Democraticamente aceitaremos a sua existência. Não queremos metralhar nenhum deles. Mas chega. Não farão mais parte da nossa turma. Tem outros que foram enganados, pelos discursos demagógicos, pelas fakenews, pela dificuldade de estudar um pouco de história. Esses nossa paciência histórica deve preserva-los. Pois perceberão os erros no futuro, e poderão se juntar a nós. E não tenham dúvida, precisamos deles. Mesmo que com algumas ideias um pouco diferente das nossas. É assim a democracia. Temos que respeitar as diferenças, muitas vezes elas nos ajudam a compreender melhor as nossas posições.
Nas batalhas o que importa é saber com quem estamos junto no bom combate. Construir um OUTRO MUNDO POSSÍVEL, não é tarefa para uma batalha, é uma guerra de muitos anos, muitos abraços, muitos sorrisos, muita tolerância, companheirismo. Muitos Brasileiros já ficaram nessa luta.
Fico feliz de saber que estarei junto com vocês construindo uma resistência capaz de nos colocar de novo nos trilhos da construção de um país soberano, justo, igualitário, feliz de novo.
Um grande beijo
domingo, 31 de dezembro de 2017
2018
Hoje é o ultimo dia do ano de 2017. Ano difícil, onde vimos ser jogado por terra anos de trabalho na construção de políticas sociais, que nos últimos 13 anos contribuíram para retirar milhões de brasileiros da miséria, para a inclusão de outros milhares de brasileiros no ensino superior, isso sem falar dos índices econômicos de maiores reservas internacionais, quitação de dividas com o FMI, saindo de devedor para credor no plano internacional, um PIB crescente, tivemos ainda uma queda na desigualdade reconhecida pelo relatório da ONU de 2014. Apesar de todas as conquistas vimos que ainda precisamos encontrar estratégias de torna-las políticas mais resistentes as intempéries da nossa governança.
Isso nos coloca numa posição de muita luta diante de um ano que começa. Pois não podemos deixar que o retrocesso político comprometa políticas que na última década se mostraram reconhecidas para reduzir a desigualdade, oferecer um atendimento mais digno aos portadores de sofrimento mental, a garantir um processo de inclusão irreversível aos diversos sujeitos portadores de diferenças, dificuldades, além das politicas de cotas e de equidade de possibilidades para as mulheres.
Essa música do Gonzaguinha deve ser o mote da nossa passagem de ano.
Quero estar com vocês nessa luta.
Grande beijo
Nunca Pare de Sonhar
Gonzaguinha
Ontem um menino
Que brincava me falou
Hoje é a semente do amanhã
Para não ter medo
Que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
Ontem um menino
Que brincava me falou
Hoje é a semente do amanhã
Para não ter medo
Que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
VIOLÊNCIA E CONTEMPORANEIDADE
A violência não é uma novidade para a humanidade. Presente em toda nossa história, a violência já foi e é periodicamente usada com a desculpa de que é preciso usa-la justamente para conte-la. Parece contraditório, mas é o que se usa para justificar toda a fúria contra o Estado Islâmico e contra as organizações criminosas que se supõe escondidas nos morros cariocas.
Conforme Chauí (2002 p.336,)
“A violência é percebida como exercício da força física e da coação psíquica para obrigar alguém a fazer alguma coisa contrária a si, contraria a seus interesses e desejos, contrária a seu corpo e a sua consciência, causando-lhe danos profundos e irreparáveis como a morte, a loucura, a auto agressão, ou a agressão aos outros.”
A expressão da violência já foi considerada, e em muitas circunstancias ainda o é, um método socialmente aceito para a defesa pessoal, do patrimônio ou de valores ideológicos e morais, outras vezes, até supostamente éticos. No entanto esse método é cada vez mais criticado pela própria sociedade.
Os exemplos mais recentes são as justificativas que foram construídas para que o mundo aceitasse a invasão do Iraque e do Afeganistão. Sob a justificativa de se evitar a utilização de armas que pudessem molestar outros países do mundo, e no segundo caso em defesa da própria população local de um governo autoritário e desrespeitador dos direitos humanos, os dois países foram invadidos, armas de destruição em massa foram utilizadas para atacar os supostos opressores, e uma matança sem fim ainda faz vítimas todos os dias naqueles países, principalmente entre mulheres e crianças.
Se por um lado a sociedade procura coibir a violência entre seus membros, buscando o controle dos comportamentos e estabelecendo normas de conduta, por outro, na construção dessas mesmas normas, decidiu-se no Brasil, que as armas podem e devem continuar sendo comercializadas livremente. Alguns países justificam essa decisão, com o jargão da democracia, é o caso dos Estados Unidos, incluindo aí o direito de utilizá-las contra outras pessoas. Assim é importante esclarecer que a violência está longe de ser um comportamento completamente injustificável, o que a humanidade tem feito é construir essas justificativas e regras para o seu uso. Elas se fazem presente sempre que a violência aflige mais de perto, seja porque fomos submetidos a um assalto ou qualquer outro ato, seja porque julgamos necessário seu uso para coibir e reprimir o seu próprio uso, ou a sua presença. A violência hoje se faz presente e na maioria das vezes é utilizada com um poder de destruição muito maior que em outras épocas. Nossa proteção pode estar na distância que nos colocamos da cena. Não é preciso mais montar o cavalo, apontar a lança e correr em direção ao inimigo. O poder de fogo pode ser acionado à distância, usando um controle remoto. Os fuzis são de longo alcance e com miras capazes de acerto ao alvo sem erros.
É importante afirmar então que não tratamos aqui de uma doença ou de algo que possamos simplesmente eliminar.
A violência estará presente em nossas vidas. Precisamos nos cuidar periodicamente, falar dela sempre, conversar e discuti-la. Pois é na ausência da expressão que ela insurge como ato, como alternativa à falta de um discurso, de uma manifestação. Tentando dar significado a ausência da fala, do diálogo. Nossa relação entre seres humanos sempre foi marcada pela violência.
No Brasil temos vivido situações de descontrole da violência em todos os seus aspectos. Violência urbana, violência associada ao tráfico de drogas, violência contra crianças e adolescentes, violência contra as mulheres e contra os idosos. Os números são alarmantes e podem ser acompanhados pelo Mapa da violência (http://www.mapadaviolencia.org.br/)
Jurandir Freire Costa (2007) em análise do filme tropa de elite marca uma posição clara sobre a estratégia de combate da violência do tráfico com a violência policial.
Combater o comércio de drogas e armas com Bopes é querer extirpar a violência com mais violência, isto é, com mais da mesma coisa. Faz sentido discutir com seriedade se a legalização das drogas ilegais seria um antídoto possível para a situação; insensato é persistirmos vendo o problema pelas lentes dos habitantes desse submundo. Nesta guerra entre aspas, o inimigo não são os infelizes do lado de lá ou do lado de cá; o inimigo é a consciência degradada dos que consideram que, para o populacho, favela está de bom tamanho.
Conforme Lisboa (2017)
Todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam a quantidade de homicídios registrada no Brasil em três semanas de 2015. Em 498 ataques, 3.314 pessoas morreram, de acordo com levantamento da Esri Story Maps e da PeaceTech Lab.
A taxa de homicídios da população negra no Brasil superou em quase 2,5 vezes a da população não negra em 2015, de acordo com o estudo do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Conforme os dados do IPEA (2017)
A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Os homens jovens continuam sendo as principais vítimas: mais de 92% dos homicídios acometem essa parcela da população. Mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos,
Fonte: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=30253
Conforme Beato (1999), dentre as teses que buscam explicar a violência temos:
É um aspecto dramático do problema do crime no Brasil que ele venha a ser objeto da atenção de nossos governantes somente quando ultrapassar os limites estruturais aos quais está tradicionalmente confinado. Quando estende-se à classe média e à zona sul, imediatamente soam os alarmes da mídia e a indignação das elites. Nesse momento, as pessoas põem-se a especular a respeito das causas da criminalidade a fim de combatê-la. Uma das teses, bastante recorrente, aliás, é a de como o crime estaria "evidentemente" associado à pobreza e à miséria, à marginalidade dos centros urbanos e a processos migratórios.
Dentre os marcos legais de controle temos leis que tem como objetivo tipificar e controlar e coibir a violência. São elas:
Lei Maria da Penha - LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006.
Estatuto da Criança e do Adolescente - LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.
Estatuto do Idoso - LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003.
Lei da Palmada - LEI Nº 13.010, DE 26 DE JUNHO DE 2014.
A lei Maria da Penha contribuiu para tipificar os tipos de violência doméstica mais presentes nas queixas policiais.
Conforme o art. 7
Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
De diversas alterações no código penal tornando mais severas as penas para crimes hediondos, crimes associados a maus tratos e com motivações fúteis etc.
Além disso algumas políticas têm sido deflagradas por diversos estados com diferentes resultados. As UPPs no Rio de Janeiro, o Fica Vivo de Belo Horizonte, programas de combate as drogas, realizados de diferentes maneiras em diferentes estados.
Há que se considerar que não temos tido grandes sucessos nas políticas sociais de combate a violência, conforme Beato Filho (1999), duas versões oferecem suporte para diferentes compreensões sobre as razoes desse fracasso.
1 versão
A ideia da reforma decorre da crença de que o crime resulta de fatores socioeconômicos que bloqueiam o acesso a meios legítimos de se ganhar a vida. Esta deterioração das condições de vida traduz-se no acesso restrito de alguns setores da população a oportunidades no mercado de trabalho e de bens e serviços, assim como na má socialização a que são submetidos nos âmbitos familiar, escolar e na convivência com subgrupos desviantes. Consequentemente, propostas de controle da criminalidade passam inevitavelmente tanto por reformas sociais de profundidade como por reformas individuais voltadas a reeducar e ressocializar criminosos para o convívio em sociedade.
2 Versão
é igualmente forte a crença de que a criminalidade encontra condições ideais de florescimento quando é baixa a disciplina individual e o respeito a normas sociais. Consequentemente, políticas de segurança pública enfatizam a necessidade de uma atuação mais decisiva do Poder Judiciário e das instâncias de controle social. Isto significa legislações mais duras e maior policiamento ostensivo, de forma tal que as punições dos delitos sejam rápidas, certas e severas.
Entretanto, conforme o próprio Beato Filho, o que tem se demostrado eficaz são programas que articulam de modo interinstitucional o estado e a sociedade. Buscando apoio nas diversas organizações sociais da sociedade civil envolvidas com o tema, bem com os diversos órgãos governamentais que atuam da educação, saúde, assistência social, defesa social.
As diferentes versões para compreensão da violência ainda fortalecem a crítica apontada por Beato Filho de que “Não acreditamos que a mudança de valores das pessoas deva ser objeto de políticas governamentais. ” o mesmo sugere que “ O que deve ser oferecido às pessoas são orientações acerca das consequências de suas ações, tanto em direção ao crime como em relação ao não-crime. “
A violência tem repercussões significativas para a saúde em todas as nossas atividades, qualquer que seja a profissão escolhida.
Conforme Minayo (1998)
os sanitaristas frequentemente manifestam estranheza ao se depararem com um fenômeno social que causa agravos à saúde, mas não se enquadra com facilidade nos esquemas habituais das disciplinas da saúde coletiva na tradição de um ofício mais voltado para o campo das doenças e sua determinação social.
Como profissionais da saúde esse é o nosso desafio, temos muito a compreender e avançar para que possamos encontrar a maneira adequada de abordagem tanto no tratamento quanto nas possibilidades de contribuir para sua prevenção.
Referências Bibliográficas.
BEATO FILHO, Cláudio C.. Políticas públicas de segurança e a questão policial. São Paulo Perspec., São Paulo, v. 13, n. 4, p. 13-27, Dec. 1999. Disponível em: . acesso em 08 Sept. 2017. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-88391999000400003.
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm Acesso em 07/09/2017
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 13.010, DE 26 DE JUNHO DE 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato 2011-2014/2014/Lei/L13010.htm Acesso em 08/09/2017
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm Acesso em 07/09/2017
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm Acesso em 06/09/2017
CHAUÍ, Marilena, Convite a Filosofia. 12ₐ edição Ed. Ática, São Paulo, 2002
COSTA, J. F. O ano em que daremos férias à tropa de elite. Nem tudo se perdeu: ainda há o cidadão comum. Jornal Estado de São Paulo, em 07/10/07
LISBOA, V. Os números alarmantes do Atlas da Violência no Brasil. Agencia Brasil, Disponível em: http://www.huffpostbrasil.com/2017/06/05/os-numeros-alarmantes-do-atlas-da-violencia-no-brasil_a_22126725/ Acesso em 06/06/2017
MINAYO, M C. de S. e SOUZA, E. R. de: 'Violência e saúde como um campo interdisciplinar e de ação coletiva'. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, IV(3):513-531, nov. 1997-fev. 1998.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Ano Novo - 2017
2016/2017 - Para Tomás
Confesso que foi difícil, começar a escrever, todo ano busco uma poesia um texto que nos ajude a refletir sobre o ano que passou e apontar nossas perspectivas de futuro. Mas dessa vez foi particularmente difícil. 2016 fomos atacados onde já acreditávamos ter consolidado algumas de nossas certezas, tivemos o período mais longo de democracia sem rupturas, e apesar de todos os problemas anteriores, respeitamos com civilidade os recursos democráticos. Vimos um bando de sujeitos inomináveis usurparem o voto de 53 milhões de pessoas com objetivos que a cada dia que passa ficam mais claros para todos, inclusive aqueles que inicialmente apoiaram; os interesses escusos que levaram ao afastamento da presidente eleita. Mas temos certeza que isso não ficará assim. A história certamente nos recuperará a possibilidade de compreensão dos reais motivos que levaram a aquele bando a romper com o ciclo democrático que estávamos a construir.
Mas nessa hora temos que nos lembrar que a LUTA CONTINUA...
Afinal construir um mundo mais justo e humano não é tarefa exclusiva nossa, dos Brasileiros. Nossas mazelas como seres humanos ficaram tremendamente expostas em 2016, as guerras cada vez mais sangrentas, principalmente para as populações mais indefesas, o drama daqueles que fogem desses campos de horrores em busca de paz e uma vida melhor, atentados covardes contra populações que não estão diretamente ligadas ao conflito. As dificuldades impostas pelo capitalismo industrial e financeiro que destruiu postos de trabalho no mundo inteiro, com objetivo único de se reorganizar para obter mais lucro. A natureza nos cobrando com intensidade, na forma de alterações na temperatura, com terremotos, inundações secas e nevascas, o nosso descaso com os cuidados com a nossa casa.
Mas nessa hora temos que recorrer a aqueles que sempre nos ajudaram ao ver o futuro e nosso papel nessa luta.
Ontem um menino
Que brincava me falou
Hoje é a semente do amanhã
Para não ter medo
Que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
Ontem um menino
Que brincava me falou
Hoje é a semente do amanhã
Para não ter medo
Que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
Gonzaguinha - Nunca Pare De Sonhar
Queria lembrar também o poema de Thiago de Mello nosso poeta da Amazônia,
Para os que Virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
Convido a todos e todas a acreditar que tempos melhores virão, nossa união, nossos desejos de um mundo mais justo, nosso amor pelos seres vivos desse nosso mundo devem ser o combustível, para continuar nossa luta. Vamos seguir nesse rumo e conto com todos e todas para estar ao meu lado.
Um grande beijo para todos.
sábado, 16 de abril de 2016
Mais uma perda
Hoje perdemos um grande companheiro na luta por um atendimento digno às mulheres que viveram uma situação de violência sexual em Belo Horizonte.
Dr. ANDRÉ ROQUETE .
Médico, grande estudante das leis. Foi responsável pela formação de muitos médicos na residência do Odilon Behrens, Importante incentivador do ambulatório que atendeu diversas mulheres que viveram a situação de violência sexual. Foi também um dos responsáveis pela implantação da cadeia de custódia, tendo incentivado e contribuído com a articulação da saúde com a justiça e policia civil. Aos colegas do IML nossa solidariedade.
Fica a saudade de sua parceria e amizade.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Hoje perdi mais que um grande Amigo.
Hoje perdi mais do que um grande amigo. Conheci o Marcus Vinicius nos anos 80 na luta politica. Eu ajudando a construir o Sindicato dos Psicólogos, ele na militância dos Professores de Contagem. Algumas vezes nos encontrávamos no SIMPRO, (Sindicato dos Professores que apoiava tanto nosso movimento de psicólogos, quanto dos professores de Contagem), e ali trocávamos algumas farpas, Ele sempre na radicalidade, achava nosso movimento pequeno Burguês, eu garantia a ele que os Psicólogos Mineiros sempre e em primeiro lugar apoiariam as lutas dos professores de Contagem e de Minas Gerais. Lutamos juntos para reconstruir o Estado de Direito, garantir as liberdades democráticas, lutamos contra a ditadura militar. Nos final desta mesma década, depois que ambos estávamos formados, nos encontramos de novo na luta por uma Psicologia com Compromisso Social. Sempre juntos, fomos militar na área da saúde, eu na FHEMIG, ele na Secretaria de Saúde. A afinidade politica, nunca exigiu concordância absoluta. Marcus era de uma capacidade de argumentação que sempre me impactou. Ele era daquele tipo que quando discutia e argumentava, falava alto, com aquele vozeirão quase gritava. Batia na mesa, gesticulava. Ele construía conhecimento enquanto falava. Ao discutir com ele aprendíamos muito. Ele era cheio de ideias e sempre dizia que elas não eram apenas dele. Sempre partilhou com todos os projetos, as ideias. Marcus trilhou seu caminho na defesa dos direitos humanos, de uma psicologia comprometida com a maioria da população brasileira, da luta por uma sociedade mais justa, tolerante, com capacidade de conviver com as diferenças. Não encontraremos movimento social existente no Brasil, na América Latina e no mundo que não tenha de alguma forma provocado em Marcus o desejo de nos provocar. Ele estava atento a tudo. Marcus morreu assassinado por continuar nessa luta por uma sociedade mais justa, solidaria respeitadora dos Direitos Humanos. Incomodou os grileiros e fazendeiros baianos, quando defendia os direitos das comunidades rurais. Estava absolutamente engajado na luta pela manutenção das conquistas da reforma Psiquiátrica Brasileira, foi a nossa maior liderança da luta Antimanicomial. Aprendemos com ele a pensar uma outra Clínica. Uma Clínica que garantisse ao sujeito seus direitos, sua cidadania, sua historia. Marcus foi embora, não está mais entre nós. Sua história, suas lutas, suas contribuições à psicologia estão marcadas em nossas vidas. Cabe a nós exigir do Estado Brasileiro a punição exemplar de seus assassinos. O Brasil que queremos não pode conviver mais com ações que excluem os divergentes, os diferentes. A vida de Marcus Vinicius nos deixa como legado a certeza que precisamos continuar lutando, Lutando contra a desigualdade, lutando contras as injustiças, lutando contra qualquer forma de discriminação e opressão. Essa morte não pode ser em vão.
Um grande abraço amigo.
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