domingo, 9 de agosto de 2020
SOU FRANCISCO VIANA, PSICÓLOGO, SERVIDOR DO SUS APOSENTADO. QUERO REGISTRAR MINHA INDIGNAÇÃO PELA MORTE DE MAIS DE 100.000 PESSOAS QUE PODERIAM TER SIDO SALVAS, SE NÃO TIVÉSSEMOS NEGLIGENCIADO AS DEMANDAS DE NOSSA POPULAÇÃO E REDUZIDO INVESTIMENTOS.
QUERO MARCAR MINHA INDIGNACAO TRAZENDO UMA HOMENAGEM DE UM GRANDE LUTADOR QUE TAMBEM PERDEMOS, D. PEDRO CASSALDALIGA, LENDO DOIS DE SEUS MARAVILHOS POEMAS. ALGUEM QUE NOS ENSINOU QUE HÁ MOMENTOS DE ESPERAR E OUTROS EM QUE A URGENCIA NÃO NOS PERMITE ESPERAR
SABER ESPERAR
SABER ESPERAR, SABENDO
QUE O TEMPO NÃO EXISTE MAIS.
NEM O CORREIO NEM A IMPRENSA
TEM SUA CAIXA NA FLORESTA.
O SOL É DE ONTEM, DE SEMPRE.
E UM DIA É MAIS UM DIA.
A NOITE COM MURIÇOCA.
A LUA, NÃO É PARA SE FIAR.
AMANHA SERÁ OUTRO DIA,
E ARROZ NÃO NOS FALTARÁ....
ACORDAREMOS CANSADOS
COM VONTADE DE SENTAR.
MAS COM A ESPERA NO OMBRO,
E NOS CABERÁ ESPERAR.
OUTRO DIA, TODO DIA,
PARA APRENDER A ESPERAR
O SEGUNDO POEMA CHAMA SE - RETIFICAÇÃO
SABER ESPERAR, SABENDO
AO MESMO TEMPO, FORÇAR
AS HORAS DAQUELA URGENCIA
QUE NÃO PERMITE ESPERAR.
terça-feira, 21 de julho de 2020
Uma convocação ao Bom Senso.
Meus Amigos,
EU NÃO VOTEI NO KALIL, MAS NESSE MOMENTO NÃO CONSIGO FICAR PARADO ASSISTINDO MAIS UMA AÇÃO DE UM BANDO DE GENOCIDAS, TRAVESTIDOS DE DONOS DE BARES E RESTAURANTES DA NOSSA CIDADE. NO MUNDO INTEIRO BARES E RESTAURANTES TIVERAM QUE AGUARDAR A REDUÇÃO REAL DO NÚMERO DE INFETADOS E MORTES PARA REABRIREM AS PORTAS. EU ADORO UM RESTAURANTE, E GOSTO DE FREQUENTA-LOS.
MANTENHA FECHADO KALIL,
ESSE JUIZ PARECE SER MAIS UM QUE TAMBÉM NÃO ACREDITA NA CIÊNCIA, NÃO DEVE TER APRENDIDO EM SEU CURSO DE DIREITO A ANALISAR TABELAS E CONHECER O QUE É O CRESCIMENTO DE NÚMEROS DE MORTES E PESSOAS INFECTADAS.
CERTAMENTE ESTÁ MUITO BEM PROTEGIDO, DENTRE DE SUA CASA MUITO ESPAÇOSA ONDE MANTEM A DISTÂNCIA SEGURA DAQUELES QUE PRECISAM TRABALHAR PARA MANTER AS ATIVIDADES ESSENCIAIS EM ANDAMENTO.
QUERIA CONHECER A LISTA DOS RESTAURANTES QUE ESTÃO ASSOCIADOS A ESSA DIRETORIA GENOCIDA DESSA ASSOCIAÇÃO DE BARES E RESTAURANTES. CERTAMENTE NÃO CONTARÃO MAIS COM A MINHA PRESENÇA NESTES RESTAURANTES. E CONVIDO AOS MEUS AMIGOS A TAMBÉM BOICOTAR AQUELES QUE MANTEM ESSES GENOCIDAS EM SUA DIRETORIA.
ESSA ATITUDE É INACEITÁVEL, NENHUMA ECONOMIA VALE MAIS QUE UMA VIDA. ESTAMOS INDO MUITO BEM, NÃO TIVEMOS ATÉ AGORA UM COMPLETO CAOS NO SISTEMA DE SAÚDE, SOMOS O TERCEIRO MAIOR ESTADO EM POPULAÇÃO E TEMOS CONSEGUIDO MANTER UM SISTEMA SOB TENSÃO, MAS FUNCIONANDO. ASSIM VAMOS APOIAR AS PROPOSTAS DO GRUPO DE TRABALHO COMPOSTO DE MÉDICOS INFECTOLOGISTAS E TÉCNICOS DA PREFEITURA PARA SALVAR VIDAS EM NOSSO ESTADO.
MANTENHA FECHADO KALIL
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Vulnerabilidade e saúde mental: perspectivas dos estudos e pesquisas na atualidade
domingo, 9 de fevereiro de 2020
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Vai 2019...
Hoje resolvi fazer uma releitura em alguns textos e reencontrei Ana Elisa Ribeiro numa ótima crônica. O que me convidou a escrever esse.
Assim começa essa crônica ,
Há! Vou me deter em alguns trechos, construindo um diálogo que nunca aconteceu de fato. Embora possível.
Você viveria sua vida de Novo?
Saramago afirma que sim, viveria, repetidamente, ponto a ponto, sua vida de novo, da forma exata como foi. Para ser mais precisa e como dizemos por aqui: “sem tirar nem por”ou “cuspido e escarrado”(por ora dispenso os ensinamentos sobre a origem da expressão) (e eu também). E como deve ser bom ouvir isso da boca de alguém. Querido, eu faria tudo de novo. Amor eu me arriscaria pelas mesmas sendas. Não deve ser fácil ter toda essa disposição. E talvez elas não sejam cem por cento verdade. A vida como ela é, não passa de uma ficção, uma narrativa que a gente se conta o tempo todo.
Ana Elisa... Não arrisca em dizer um “sim” muito veemente. Nem sempre. Intermitências. Lembro daqui e dali de uns desassossegos. Uns episódios, esparsos, tudo bem, mas que, provavelmente teriam mudado tudo, inclusive (e principalmente) o lugar do ápice, a epifania e, mais a conclusão. The end não seria este. Seria um outro, e termino por julgar: melhor?
Quando olho para traz tenho um sentimento de satisfação. Passei 37 anos prestando serviços ao SUS. Ajudei na sua construção. Participei de diversas conversas e contribuí na organização de diversas outras que sempre tiveram como foco o respeito, e a melhoria da assistência à saúde para nossa população brasileira.
Casei-me, tive filhos, hoje tenho neto(s) lá se vão mais de 38 anos de convivência, obviamente nem sempre sem desassossegos, mas nada que uma conversa, um respiro, não pudesse superar. Gosto muito do resultado de tudo isso que foi vivido com eles.
Fui professor universitário por 18 anos, vivi ótimos momentos, principalmente aqueles que trouxeram para dentro da universidade os alunos do PRÓUNI. Que ávidos de conhecimento e de novas experiências, tanto nos interpelaram, colocaram em questão nossos métodos, nossas aulas, trazendo uma realidade pouco conhecida pelo ambiente acadêmico. Mas que ao final, vinham até a nossa mesa agradecer a aula dada naquele dia.
Militei na profissão, e junto com vários amigos, ajudei a criar várias entidades, e principalmente a dar à minha profissão uma dimensão do compromisso social com nosso povo, buscando respeito a diversidade e aos direitos humanos.
Vivi como cidadão a luta contra a ditadura, lutei pelas diretas, participei dos temas importantes para construção da nossa constituição, mas principalmente da possibilidade de ver políticas públicas mais inclusivas, trazendo condições de cidadania a uma parcela considerável da população sempre excluída pela política deliberada de aumento das desigualdades sociais.
Sabe Ana, à primeira vista é de fato linear, como você, certamente muitas vezes quis ir adiante para ver se valia a pena?
“Sei que não seria possível viver tudo de novo, desse jeitinho. Provavelmente quereria fazer o caminho que parecia logo ao lado, para ver onde iria dar. E se pudesse concluir algo, também pediria ao gênio da lâmpada aquele terceiro pedido”.
Mas isso não apagaria as coisas vividas.
Gonzaguinha diria....
Começaria tudo outra vez
Se preciso fosse, meu amor
A chama em meu peito ainda queima
Saiba, nada foi em vão
“Mas se existia outro caminho? se eu pudesse ter comprado aquela passagem? Se tivesse aceitado aquele convite? Nada disso mudaria nossa vida. Apenas abriria ou fecharia um pouco mais a curva da espiral que é nossa vida, não é?”
E então eu cantaria a noite inteira
Como já cantei, eu cantarei
As coisas todas que já tive, tenho e sei
Um dia terei
A fé no que virá
E a alegria de poder olhar p'ra trás
E ver que voltaria com você
De novo viver nesse imenso salão
A todxs os meus amigos, amigas, meus familiares, ex-alunas e alunos, colegas de trabalho e militância,
Gostaria de dizer que voltaria a viver com todos vocês nesse imenso salão, como disse Ana Elisa, talvez não fosse possível nos repetir, mas ainda assim gostaria de estar com todos vocês de novo nesse caminho continuando a luta por um mundo menos desigual, mais sustentável e mais justo.
Ao som desse bolero Vida, vamos nós
E não estamos sós
Veja, meu bem
A orquestra nos espera
Por favor, mais uma vez
Recomeçar.
Francisco Viana
1)Ribeiro, Ana Elisa. Chicletes, lambidinha e outras crônicas, 2012
2)Luiz Gonzaga, Gonzaguinha - Começaria tudo outra vez
sexta-feira, 31 de maio de 2019
HOJE NOSSA RUA FICOU MAIS POBRE.
Hoje nossa rua ficou mais triste.
Perdemos dois Ipês de uma só vez.
É verdade que estavam demostrando seu enfraquecimento já há algum tempo.
Fruto de podas malfeitas, toscas, somadas às condições insalubres de uma grande cidade.
Mesmo assim ainda estavam vivas, podia-se ver pela cor de seu caule já no chão.
A verdade é que já enfrentávamos essa situação a muito tempo,
Certa de um ano atrás uma voz solitária suspendeu o corte, apenas com uma pergunta,
Alguém tem um laudo indicando que elas devem ser cortadas?
Foi o suficiente para que ganhassem mais um ano de vida e nos brindassem ao tempo certo com mais uma e última florada.
Não estavam mortas.
Perdemos um pouco mais de sombra,
Perdemos o cheiro das flores, a cor viva que coloria nossas calçadas,
Teremos um sol mais forte em nossas janelas,
Nossa intimidade mais devassada,
Principalmente perdemos acordar pelas manhas de setembro e ao abrir a janela nos depararmos com um buque de flores a nossa frente,
Vamos plantar outra, certamente, mas ficará para os netos assistirem à chegada das águas,
Para nós ficará a lembrança....
terça-feira, 23 de abril de 2019
23/04/2016
Aos amigos Psicólogos, Alunos da Psicologia e Ex alunos e alunas,
Fui assistir neste feriado ao filme que conta parte da história de “Nise da Silveira, O coração da Loucura”. Médica Psiquiatra, que conseguiu se tornar uma referencia para três profissões, para os Psiquiatras, para os Psicólogos e para os Terapeutas Ocupacionais. Nise uma mulher moderna, democrática, a frente do seu tempo, demostra na sua prática, o respeito pelos portadores de sofrimento mental, e contribui para resgatar o melhor que havia em cada um deles. Após sair da prisão, (ficou presa durante a intentona comunista, no mesmo presidio de Graciliano Ramos, tendo se tornado uma das personagens, junto com Olga Benário Prestes, de seu livro Memórias do Cárcere). A doutora Nise da Silveira (Gloria Pires) propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. É um filme imperdível. Ótima interpretação de Gloria Pires.
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